News Farma, 10 de abril 2026
Estudo sobre epidemia de 1857 em Lisboa reforça importância da vigilância contra arboviroses
Segundo o artigo científico, a epidemia decorreu entre julho de 1857 e fevereiro de 1858 e foi associada, nos registos oficiais usados pelos autores, a 13 757 casos e 5 652 mortes 13 oficialmente registados. O estudo estimou um número de reprodução básico (R0) aproximado de 5, indicador usado para descrever o potencial de transmissão, e identificou 15 freguesias urbanas de maior risco junto à costa, entre 34 freguesias analisadas.
A investigação, com participação de Ana B. Abecasis, do Global Health and Tropical Medicine e do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa, recorreu a dados históricos, cartografia e modelação epidemiológica. Os autores associam a distribuição da epidemia a factores como proximidade ao porto, baixa altitude, áreas construídas, ocupação, género e acesso a cuidados.
Este estudo ganha relevância acrescida no enquadramento actual. O mosquito do género Aedes, como o Aedes aegypti, é vector de febre amarela, dengue, chikungunya e Zika. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças refere que esta espécie foi detectada em partes da União Europeia, incluindo a Madeira. Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge assinalou Aedes albopictus na região de Lisboa em 2023 e em 20 concelhos em 2024, não havendo, nas fontes citadas, indicação de transmissão autóctone recente de febre amarela em Portugal.
A principal implicação desté preventiva: o estudo mostra como dados históricos podem apoiar vigilância, controlo de vetores e resposta em saúde pública.