Archives of Toxicology, 25 agosto 2026

Autores propõem cinco prioridades para melhorar a avaliação dos riscos dos PFAS

Selecionar as substâncias mais relevantes e melhorar a sua medição são duas das cinco prioridades propostas num relato de conferência publicado a 25 de agosto na Archives of Toxicology. Os autores procuram reforçar a avaliação dos riscos das substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS), compostos persistentes que podem chegar às pessoas através dos alimentos e da água.

O artigo “PFAS: challenges and scientific perspectives in human health risk assessment” sintetiza apresentações e debate de uma conferência realizada em Berlim, de 8 a 10 de outubro de 2025, e foi preparado pelo grupo de trabalho sobre PFAS do German Federal Institute for Risk Assessment, o instituto federal alemão de avaliação de risco, com contributos dos oradores.

Os autores recomendam dar prioridade a substâncias com elevados volumes de produção ou exposição interna humana detetável, isto é, presença medida no organismo. Propõem também métodos laboratoriais mais sensíveis e análises que permitam identificar compostos para além das listas habitualmente pesquisadas.

A terceira prioridade é produzir dados robustos, combinando estudos experimentais, investigação epidemiológica, testes em células e modelos computacionais. Segundo os autores, estes modelos precisam de dados adequados para serem desenvolvidos e testados. A diversidade dos PFAS limita a extrapolação entre substâncias.

As duas restantes recomendações incidem na ciência aberta, com partilha de dados e colaboração entre instituições, e numa comunicação do risco clara para cidadãos e decisores.

Na água destinada ao consumo humano, a monitorização de PFAS é obrigatória em Portugal desde 12 de janeiro de 2026, nos termos do Decreto-Lei n.º 69/2023, alterado em julho de 2026. A legislação enquadra a seleção dos parâmetros e a frequência de amostragem na avaliação do risco dos abastecimentos.

O parâmetro soma de PFAS abrange uma lista de 20 substâncias. As orientações técnicas da Comissão Europeia, de 2024, descrevem também métodos indicativos para o parâmetro total de PFAS, com alcances analíticos diferentes. Avaliar o risco exige interpretar os resultados à luz das substâncias abrangidas e do método utilizado.

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