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Rádio Renascença, 6 julho 2026
Regra 3-30-300 estabelece metas para cidades mais frescas e resilientes
A regra 3-30-300 voltou a ganhar destaque como referência para o planeamento urbano. Recuperada por Eva Schwab, subdiretora do Instituto de Urbanismo da Universidade Técnica de Graz, a abordagem defende que cada habitação tenha pelo menos três árvores visíveis, que os bairros disponham de 30% de cobertura de copa arbórea e que exista um espaço verde público de qualidade a menos de 300 metros de distância.
A regra foi proposta em 2022 no artigo científico Evidence-based guidelines for greener, healthier, more resilient neighbourhoods: Introducing the 3–30–300 rule, que defende a integração destes três indicadores como orientação para o desenvolvimento de bairros mais saudáveis e resilientes.
A sua aplicação foi recentemente avaliada no estudo Assessing European cities with the 3-30-300 rule underscores the need for enhanced urban greening efforts, publicado na revista Nature Communications em abril de 2026. Numa análise a 862 cidades europeias com mais de 50 mil habitantes, concluiu-se que 46,7% da população estudada cumpria o critério das três árvores, 28% o da cobertura de copa e 57% o dos 300 metros. Apenas 13,5% cumpriam os três critérios e 21% nenhum.
Os resultados são indicadores cartográficos. O estudo utilizou dados de 100 metros para aproximar a visibilidade, grelhas de um quilómetro para representar os bairros e a distância em linha reta para o acesso.
Em Portugal, o Roteiro Nacional para a Adaptação 2100 identificou, em 2023, 70 documentos municipais de adaptação às alterações climáticas. O projeto municipal LIFE LUNGS registou a plantação de 116 551 árvores e arbustos em Lisboa, num total de 228,3 hectares, entre 2019 e 2025. O Porto adotou metas próprias para o verde urbano.
A 8 de julho, o Governo anunciou projetos para espaços arborizados, linhas de água e plantação de espécies resilientes em Évora, Beja, Leiria, São João da Madeira, Vila Real e Guimarães.