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Público, 16 agosto 2025
Ondas de calor de 80 dias podem passar a ser comuns no Norte e Centro do país
As ondas de calor estão a tornar-se cada vez mais comuns na Europa, e também mais duradouras. Na década de 2010 a 2019, houve mais 57% de pessoas expostas a estes períodos de calor extremo no continente europeu do que na década anterior, contabiliza um relatório do Centro Euro-Mediterrânico sobre Alterações Climáticas, que tem várias delegações em Itália. Portugal não escapou a essa regra. Os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) mostram que a aceleração começou sobretudo a partir do ano 2000.
“Houve um aumento da persistência e da duração das ondas de calor, mais centrada nas regiões interior Norte e Centro”, explica Ricardo Deus, que dirige a Divisão de Clima e Alterações Climáticas do IPMA. Esta viragem começou a sentir-se já na década de 1990 – afinal, em 1988 a concentração na atmosfera de dióxido de carbono (CO2), o principal gás com efeito de estufa, atingiu 350 partes por milhão (ppm), o limite do que os cientistas consideram seguro para que não haja alterações climáticas perigosas no nosso planeta.