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Healthnews (com Lusa), 9 julho 2026
Acumulação de vegetação combustível continua a ameaçar território português, alerta especialista em iniciativa CPSA
Portugal tem vindo a reduzir o número de incêndios, mas a insuficiente gestão e redução da vegetação combustível continua a aumentar a vulnerabilidade do território, alertou José Miguel Cardoso Pereira durante a apresentação do Guia CPSA para os Incêndios, promovida pelo Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), a 8 de julho, em Lisboa. A publicação pretende apoiar a população com informação sobre prevenção e proteção face aos incêndios.
José Miguel Cardoso Pereira, professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia (ISA), atribuiu parte da vulnerabilidade de Portugal ao abandono agrícola e rural, às alterações climáticas e à insuficiente redução da vegetação combustível. O especialista apontou o fogo controlado e a pastorícia como possíveis instrumentos de gestão, sem considerá-los soluções isoladas.
Segundo o relatório anual do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), Portugal registou 8 252 incêndios rurais em 2025, o terceiro valor mais baixo desde 2001 e 16% abaixo da média do período 2018–2024. Apenas 44 incêndios concentraram cerca de 91% da área ardida no país. A execução acumulada do Programa Nacional de Ação (PNA) atingiu 53%, e as entidades do sistema reportaram cerca de 196 mil hectares de gestão da vegetação combustível.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considera que o modelo português de gestão integrada de fogos rurais representa uma mudança de paradigma, mas assinala diferenças na execução municipal e a fragmentação dos dados relativos à gestão da vegetação combustível. Esta limitação dificulta a comparação direta entre alguns indicadores publicados por diferentes entidades ou referentes a anos distintos.
Entre os principais impactos dos incêndios na saúde pública encontra-se a exposição ao fumo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a exposição a partículas finas pode causar ou agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, afetando de forma mais significativa crianças, pessoas idosas, grávidas e pessoas com doenças crónicas.
A estimativa de 339 mil mortes anuais mencionada provém do estudo Estimated global mortality attributable to smoke from landscape fires, publicado em 2012, e corresponde a uma média global modelada para o período 1997–2006.