MS Magazine, 19 julho 2026

Presidente da Population Action International defende integração da saúde reprodutiva na resposta climática

Nabeeha Kazi Hutchins, presidente e diretora executiva da Population Action International, defende, num artigo publicado na MS Magazine, que os planos climáticos e de emergência devem incluir a saúde sexual e reprodutiva e os cuidados maternos, alertando para os impactos crescentes das alterações climáticas na saúde das mulheres e dos recém-nascidos.

Hutchins sublinha que os eventos climáticos extremos podem comprometer o acesso aos cuidados de saúde, agravando os riscos durante a gravidez e o parto, apoiando esta posição em estudos que associam estes episódios à interrupção de cuidados e a desfechos adversos na gravidez.

Entre os exemplos apresentados, está o do Fundo das Nações Unidas para a População que estimou que, na sequência das cheias de 2022 no Paquistão, cerca de 650 mil grávidas necessitavam de cuidados de saúde materna nas áreas afetadas, das quais até 73 mil deveriam dar à luz no mês seguinte. A evidência científica citada reforça esta preocupação. Um estudo da Universidade do Sul da Califórnia analisou 713 nascimentos em Los Angeles entre 2016 e 2020 e identificou uma associação entre a exposição ao calor e ao fumo dos incêndios antes da conceção ou durante o primeiro trimestre de gravidez e o baixo peso à nascença.

Uma revisão sistemática e meta-análise, que reuniu 198 estudos de 66 países, estimou um aumento relativo de 4% na probabilidade de parto pré-termo por cada aumento de 1 °C na exposição ao calor e de 26% durante ondas de calor.

Em Portugal, um estudo relativo ao período de 2010 a 2018 identificou 51 316 nascimentos pré-termo em hospitais do Serviço Nacional de Saúde, correspondendo a 7,7% do total analisado, embora estes resultados não sejam atribuídos às alterações climáticas. Ainda assim, o Plano Nacional de Preparação e Resposta Sazonal em Saúde 2026–2027 identifica as grávidas como um dos grupos prioritários, prevendo medidas destinadas a assegurar a continuidade dos cuidados.

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