Organização Mundial da Saúde (OMS), 29 junho 2026

OMS alerta para estagnação dos progressos na redução da poluição do ar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou, a 29 de junho, os indicadores globais relativos à poluição do ar, energia doméstica e saúde, concluindo que os progressos na redução da exposição às partículas finas com diâmetro até 2,5 micrómetros (PM2,5) estagnaram após 2020. Apesar da melhoria registada nas duas décadas anteriores, a organização alerta que persistem fortes desigualdades na exposição à poluição atmosférica, especialmente entre países de diferentes níveis de rendimento.

Segundo a OMS, em 2023, cerca de 6,5 mil milhões de pessoas viviam expostas a concentrações anuais de PM2,5 superiores a 35 microgramas por metro cúbico (µg/m³), valor correspondente à meta intermédia menos exigente das diretrizes da organização. Nos países de rendimento baixo e médio, o número de pessoas expostas acima deste limiar era treze vezes superior ao registado nos países de rendimento elevado. O valor de referência recomendado pela OMS mantém-se nos 5 µg/m³ de média anual.

A atualização reúne indicadores sobre mortalidade atribuível à poluição atmosférica, acesso a tecnologias de energias limpas para cozinhar e níveis de exposição urbana às partículas finas, recorrendo a dados de satélite, modelos atmosféricos, medições no terreno e informação demográfica. Em 2024, cerca de dois mil milhões de pessoas continuavam a depender de fogões e combustíveis ineficientes ou poluentes para cozinhar.

Em Portugal, o quadro da OMS, atualizado em 2025 com dados de exposição relativos a 2019, aponta para uma média anual de 7 µg/m³, acima do limite de 5 µg/m³ estabelecido pela organização. Em 2024, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) classificou o nível dominante do Índice de Qualidade do Ar como «Bom». Ainda assim, foi registada uma evolução global ligeiramente negativa face a 2023, apesar da pequena redução das concentrações médias de PM2,5.

A Agência Europeia do Ambiente (AEA) estimou que, em 2023, 2221 mortes por causas naturais em pessoas com 30 ou mais anos eram atribuíveis à exposição prolongada a concentrações de PM2,5 superiores ao valor de referência da OMS.

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