NDTV, 13 julho 2026
Calor extremo prolongado associado a maior risco de internamento por perturbações mentais
Um estudo observacional multinacional publicado a 10 de julho na revista Nature Health associou ondas de calor prolongadas a um maior risco de internamento por perturbações mentais e do comportamento em quatro países. Em Portugal, um estudo anterior tinha já identificado uma associação entre dias de onda de calor e um aumento dos internamentos.
O estudo Mental health hospitalizations associated with sustained extreme heat in multiple countries analisou 2 618 307 registos de internamento referentes ao período quente, recolhidos em 852 locais do Brasil, Canadá, Chile e Nova Zelândia, entre 2000 e 2019. A definição principal de onda de calor considerou uma temperatura média diária superior ao percentil 97,5 local durante, pelo menos, quatro dias consecutivos.
Segundo os autores, o risco relativo de internamento foi de 1,033 no próprio dia e de 1,056 na janela acumulada entre o dia da exposição e os oito dias seguintes. Este último valor corresponde a um aumento relativo de 5,6% do risco de internamento, não significando que 5,6% das pessoas expostas tenham sido internadas.
A associação foi mais forte entre adultos mais velhos e residentes em áreas de baixa densidade populacional. Os resultados não permitem concluir, por si só, que estas áreas sejam necessariamente rurais ou isoladas, nem estabelecer que o calor tenha causado cada episódio clínico.
Em Portugal, o estudo Effect of heatwaves on daily hospital admissions in Portugal, publicado em 2024 na revista The Lancet Planetary Health, analisou mais de 12 milhões de registos de internamento nos 278 concelhos de Portugal continental, entre 2000 e 2018. Nos dias de onda de calor, os autores estimaram um aumento de 18,9% no total de internamentos e de 23,0% por doenças e perturbações mentais.
O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge mantém o Sistema de Vigilância ÍCARO ativo entre maio e setembro, emitindo boletins diários sobre o risco potencial de excesso de mortalidade. A Direção-Geral da Saúde disponibiliza também recomendações dirigidas aos municípios e às equipas que acompanham pessoas em situação de sem-abrigo.