CPSA, 26 junho 2025
Portugueses continuam sem compreender a relação entre Saúde e Ambiente
O estudo “Clima de mudança: perceções sobre os desafios ambientais em Portugal”, encomendado pela Fundação Calouste Gulbenkian à Ipsos APEME e da autoria de Filipa Dias visava, segundo os seus promotores, compreender as “atitudes dos cidadãos perante os temas ambientais, mas também perceber como são percecionadas as organizações da sociedade civil na área do ambiente e as principais abordagens que estas seguem para envolver os cidadãos na sua missão”.
Segundo o estudo, são, por esta ordem, as questões que mais preocupam os portugueses:
1. Cuidados de saúde
2. Pobreza e desigualdade social
3. Corrupção política/financeira
4. Impostos
5. Controlo migratório
6. Inflação
7. Crime e violência
8. Educação
9. Aumento do extremismo
10. Alterações climáticas
11. Desemprego
12. Conflitos militares entre países
13. Declínio moral
14. Ameaças contra o ambiente
15. Terrorismo
16. Acesso ao crédito
17. Manutenção dos programas sociais
18. Covid-19
O que é digno de nota é o facto de a saúde aparecer como a principal preocupação enquanto as alterações climáticas aparecem apenas em décimo lugar e as ameaças contra o ambiente em décimo quarto, apesar de o ambiente ser um dos mais relevantes determinantes da saúde.
O que se pode concluir daqui é que existe ainda um longo caminho a percorrer para tornar evidente aos cidadãos a estreita ligação que existe entre ambiente e saúde. A crise ambiental, na sua tripla vertente de crise climática, poluição e perda de biodiversidade é, acima de tudo, um problema de saúde pública, como o CPSA tem tentado mostrar, mas pouca gente, poucos decisores políticos e até poucos responsáveis da área da saúde parecem aperceber-se disso e estar dispostos a agir, nas suas diversas capacidades, para responder a essa crise.