CPSA, 30 junho 2026

Ondas de calor: CPSA defende criação de centros de arrefecimento e resposta preventiva do sistema de saúde

O Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) alerta para o agravamento do impacto das ondas de calor na saúde em Portugal e apela às autoridades públicas para adotarem uma resposta permanente, coordenada e centrada na proteção dos grupos mais vulneráveis.

A associação defende que os municípios criem centros de arrefecimento – espaços públicos seguros sinalizados, frescos e acessíveis – e que o sistema de saúde reforce a vigilância, os planos de contingência e o acompanhamento ativo das pessoas em maior risco.

MENSAGEM-CHAVE

  • As ondas de calor estão a tornar-se mais frequentes, intensas e prolongadas, aumentando o risco de doença e morte associadas ao calor.
  • Portugal é um país particularmente vulnerável devido à exposição climática, ao envelhecimento da população e às desigualdades sociais.
  • A resposta deve começar antes da crise, com planos locais, comunicação pública clara e proteção ativa das pessoas mais expostas.

Portugal particularmente exposto

O CPSA sublinha que Portugal reúne vários fatores que ampliam o risco associado ao calor extremo: exposição mediterrânica e norte-africana, população envelhecida e desigualdades que deixam muitas pessoas em habitações pouco preparadas para temperaturas elevadas ou em situação de isolamento social.

Segundo os dados reunidos pelo CPSA, até 2021 Portugal registava tipicamente entre zero e três ondas de calor por ano. Desde 2022, o padrão tornou-se mais frequente e prolongado, com uma média de seis a oito ondas de calor, incluindo episódios fora dos meses de verão. Só em 2026, até 26 de junho, foram já registadas cinco ondas de calor, num total acumulado de 59 dias com temperaturas pelo menos 5 °C acima da média para a época.

“As ondas de calor são já hoje uma das maiores ameaças climáticas à saúde em Portugal. Não podemos continuar a tratar cada episódio como uma surpresa. Precisamos de um sistema de saúde preparado, resiliente e capaz de proteger os mais vulneráveis, antes, durante e depois de cada onda de calor.”

Luís Campos, Presidente do CPSA

O que o CPSA propõe

Sistema de saúde

Municípios

  • Vigilância epidemiológica em tempo real e alerta precoce.
  • Planos de contingência atualizados em hospitais, centros de saúde, cuidados continuados, lares e creches.
  • Contacto proativo com pessoas idosas isoladas, doentes crónicos e populações em risco social.
  • Informação pública simples sobre prevenção, hidratação, arrefecimento da habitação e sinais de alerta.
  • Formação dos profissionais de saúde em saúde climática e resposta a eventos extremos.
  • Sustentabilidade das infraestruturas de saúde: investimento na adaptação dos edifícios de saúde ao calor extremo, com ventilação, sombreamento e vegetação adequados.
  • Intersectorialidade: a resposta ao calor exige coordenação entre saúde, ambiente, habitação, proteção civil e autarquias.
  • Centros de arrefecimento com horários alargados, boa acessibilidade, água potável e encaminhamento social.
  • Mapeamento de ilhas de calor e de pessoas vulneráveis, em articulação com saúde, juntas de freguesia e instituições sociais.
  • Mais sombra, árvores, corredores verdes, bebedouros e superfícies claras ou permeáveis.
  • Redes de vizinhança e voluntariado para acompanhar pessoas isoladas.
  • Proteção de trabalhadores expostos ao calor e resposta específica para pessoas em situação de sem-abrigo.

A prioridade: prevenir

O CPSA defende que a adaptação ao calor extremo seja integrada nas políticas de saúde, habitação, urbanismo, proteção civil e ação social. A preparação atempada reduz urgências, internamentos e mortes evitáveis, protegendo em especial quem tem menos capacidade de se defender do calor.

Contactos para a Imprensa

Luís Campos, Presidente do CPSA, luis.campos@cpsa.pt

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